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O sensegiving é uma prática estratégica de liderança voltada para influenciar a maneira como as pessoas compreendem sua realidade organizacional. O termo descreve o processo de orientar a construção de sentido dentro das empresas, ajudando equipes e stakeholders a reinterpretarem quem são, o que fazem e por que o fazem.
Em momentos de estabilidade, os significados e valores dentro de uma organização tendem a ser aceitos como naturais e incontestáveis. Mas quando surgem mudanças, incertezas ou crises — ou seja, quando há uma ruptura no processo de sensemaking — é aberto um espaço crítico onde a liderança precisa agir.
É nesse contexto que o sensegiving se torna essencial: ele não somente preenche lacunas interpretativas, mas também direciona a forma como as pessoas colaboradoras lidam com uma nova visão, estratégia ou identidade organizacional.
Para entender mais sobre este conceito, continue a leitura deste artigo e confira o que é sensegiving, porque ele é uma competência-chave em contextos de mudança e como aplicá-lo de forma eficaz na liderança e na cultura da sua organização!
A definição oficial, formulada por Gioia e Chittipeddi (1991), descreve o sensegiving como:
“O processo de tentar influenciar a construção de sentido de outros em direção a uma redefinição preferida da realidade organizacional.”
Nesse sentido, podemos entender que o significado de sensegiving é “o processo de dar clareza”; é a influência da liderança na forma como as pessoas colaboradoras entendem suas funções, o propósito do trabalho, as mudanças estratégicas ou a identidade da organização, com o objetivo de gerar alinhamento, engajamento e clareza na equipe.
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O sensegiving funciona como um processo coletivo e contínuo de construção de significado dentro da organização, especialmente em contextos de mudança ou crise. Embora o cargo de CEO costume ocupar o papel mais visível nessa prática, essa não é a única função responsável por moldar a forma como as pessoas compreendem a realidade da cultura organizacional.
Na verdade, o sensegiving se dá em diferentes níveis hierárquicos, envolvendo uma rede ampla de profissionais com responsabilidades e estratégias específicas. Entenda melhor a seguir!
Essa diversidade de vozes e interpretações cria um “mercado interno de significados” — um ambiente dinâmico onde diferentes grupos dentro da organização interpretam e reinterpretam a narrativa oficial proposta pela liderança. Cada grupo traz suas próprias perspectivas, interesses e experiências, o que faz com que o sentido atribuído às mudanças seja constantemente ajustado, testado e, por vezes, até contestado.
Por isso, a eficácia do sensegiving depende não somente da clareza da mensagem inicial, mas da capacidade de alinhar esses diferentes fluxos interpretativos para que a nova visão faça sentido para todos os envolvidos.
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No universo da gestão e da liderança, sensemaking e sensegiving são processos complementares, mas com focos distintos.
Em resumo, o sensemaking é quando você, ou um grupo, busca compreender uma situação ou mudança. Já o sensegiving diz respeito ao ato de influenciar a compreensão de outras pessoas perante uma situação nova.
Agora que já ficou claro o que significa sensegiving, vale refletir como ele se aplica ao mundo corporativo. Vivemos um cenário de tensões: de um lado, a pressão por mudanças rápidas; de outro, o desgaste humano diante de tantas transformações, com queda no engajamento, exaustão emocional e perda de confiança nas lideranças.
Esse descompasso cria o que chamamos de “déficit de capacidade de mudança” — uma diferença crítica entre o quanto a empresa quer se transformar e o quanto suas pessoas colaboradoras estão preparadas para acompanhá-las. É aqui que o sensegiving se torna essencial.
Mais do que aplicar novos processos ou exigir resultados, as lideranças precisam ajudar as pessoas colaboradoras a entenderem o porquê das mudanças, o que está em jogo e qual o papel de cada pessoa nisso tudo.
Dar sentido ao que está acontecendo é uma forma de reduzir o medo, gerar engajamento e fortalecer a motivação do time.
No entanto, é importante que saibamos que o desafio não está só com os colaboradores e colaboradoras. As próprias lideranças também estão sob pressão.
Segundo a pesquisa “Spring 2025 Fortune/Deloitte CEO Survey”, o otimismo das pessoas CEOs entrevistadas em relação ao desempenho de suas próprias empresas caiu de 84% de 2024 para 60% em 2025.
Com isso, muitas passaram a focar no curto prazo, cortando custos e tentando manter a estabilidade, o que acaba gerando mais incertezas nas equipes.
Diante de tudo isso, o sensegiving se apresenta como um dos caminhos mais importantes para liderar em cenários adversos.
É por meio dele que líderes podem resgatar a confiança, reduzir a ansiedade e, por consequência, ajudar as pessoas a enxergar propósito em meio às mudanças.
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Como vimos, em um ambiente corporativo repleto de instabilidades, cada vez mais, espera-se que as pessoas CEOs e gestoras não apenas gerenciem os resultados financeiros, mas também sirvam como “diretores e diretoras de propósito”.
Durante crises, as lideranças podem enfrentar um cenário de ambiguidade, em que faltam informações claras e confiáveis.
Isso abre espaço para rumores, interpretações equivocadas e queda na moral. Para evitar esse tipo de impacto, o sensegiving se torna uma ferramenta poderosa.
Confira abaixo três estratégias de sensegiving para adotar nesses momentos.
Durante um momento desafiador, o ambiente da empresa se torna confuso e a sensação de descontrole aumenta.
Por isso, líderes precisam reorganizar a narrativa dos acontecimentos, ao oferecer um framing (sentido ao momento) que ajude as pessoas colaboradoras a entenderem o que está acontecendo e como superar a questão.
❌ Assim, em vez de dizer:
“Estamos passando por uma situação extremamente difícil que pode comprometer nosso futuro.”
✅ Prefira:
“Estamos enfrentando um cenário desafiador, mas temos um plano de ação claro. Com foco, conseguiremos atravessar essa fase e sair ainda mais fortes.”
Em contextos de crise, as palavras importam — e muito. Isso porque as pessoas procuram por segurança emocional e clareza.
Nesse cenário, as lideranças podem usar uma comunicação que transmita confiança, responsabilidade e estabilidade, mesmo quando as soluções ainda estão sendo construídas.
O que isso significa, na prática? Evite uma linguagem que aumenta a insegurança. Procure adotar uma comunicação que reafirme o compromisso com as pessoas colaboradoras e com o propósito da organização.
❌ Portanto, em vez de dizer:
“Não sabemos ao certo o que vai acontecer com a nossa empresa.”
✅Prefira:
“Estamos avaliando todos os cenários com responsabilidade e tomaremos decisões com base no que for melhor para o time e a empresa.”
Essa escolha de palavras mostra que a liderança está no controle, transmite calma e incentiva a equipe a seguir com foco.
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Sensegiving não é um monólogo, mas sim um diálogo. É preciso lembrar que a eficácia da comunicação também depende de ouvir, acolher e responder às dúvidas e sentimentos dos membros das equipes.
A escuta ativa, portanto, envolve criar canais reais de comunicação, como reuniões, enquetes internas ou formulários anônimos, e demonstrar que as contribuições dos times são levadas a sério.
Dessa forma, a liderança mostra, com atitudes, que não está somente falando. Está verdadeiramente dialogando e prestando atenção nas suas pessoas.
Por fim, é possível perceber que, para que a liderança seja eficaz neste contexto, é necessário mais do que habilidade técnica ou carisma: é essencial dominar a arte do sensegiving.
Isso significa comunicar com significado, inspirar confiança e conectar o propósito organizacional ao propósito individual de cada pessoa colaboradora. Porém, isso não é uma habilidade que as lideranças podem desenvolver da noite para o dia. Ela se constrói com aprendizado contínuo e direcionamento.
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